Minhas namoradas

Por Ronaldo Souza

“O primeiro sutiã a gente nunca esquece”.

Dizia o belíssimo comercial da Valisère, criado por Washington Olivetto em 1987.

Ganhou prêmios internacionais e é considerado um dos 5 melhores comerciais brasileiros.

Trago-o como homenagem à mulher.

À sua beleza e sensibilidade.

O primeiro amor a gente nunca esquece

Eu tinha 16 anos.

A dona do meu assobio e do meu canto, que só cantavam músicas que tinham sido “feitas para mim e para ela”, morava numa casa em frente ao meu prédio.

Uma vez foi ao apartamento onde eu morava.

Tocou a campainha.

Quando abri a porta entrou uma brisa leve, fresca como a das primeiras horas da manhã de uma primavera de cinema.

Meu corpo tremeu e paralisou.

Não namoramos.

Ela não me quis como namorado.

Mas foi a minha primeira paixão.

Como tantos outros homens, tive namoradas.

De algumas gostei mais, de outras menos.

Com elas as minhas certezas de macho latino americano foram se transformando em dúvidas e incertezas de homem.

E o homem conheceu a insegurança.

O homem conheceu o gosto doce-amargo do amor.

Devo às mulheres o homem que sou.

Assistindo ao filme “A Casa da Rússia”, com Sean Connery, Michelle Pfeiffer e outros bons atores, fiquei encantado com a cena em que, quase que literalmente, ele diz a ela:

“Meus erros e acertos me prepararam para você”.

Engana-se quem imagina que o namoro não pode ser algo duradouro.

Sentimentos não desaparecem, ganham outras formas.

A paixão que põe fogo no coração se modifica.

Alguém chega, entra e lhe mostra as diversas formas de amar.

É o amor que vê chegar o tempo da delicadeza.

É essa delicadeza que dedico a ela e às nossas filhas.

Minhas namoradas.